Nobel de química aponta para energias mais limpas

Prêmio Nobel de Química anunciado esta semana, o mais prestigioso reconhecimento da ciência internacional, foi para os pesquisadores John B. Goodenough, M. Stanley Whittingham e Akira Yoshino pelo desenvolvimento das baterias de íons de lítio, que revolucionaram a tecnologia de celulares, carros elétricos e fontes renováveis. Baterias que carregassem rapidamente e que durassem bastante tempo eram um verdadeiro gargalo da indústria tecnológica até a descoberta do trio de cientistas. Sua concretização é que tornou uma série de equipamentos, comuns hoje no cotidiano das pessoas, técnica e economicamente viáveis. Além de uma medalha simbólica, o Nobel dá para os vencedores 9 milhões de coroas suecas, o que equivale a aproximadamente R$ 3,7 milhões, que serão divididos pelo trio. Goodenough, que tem 97 anos, passa a ser a pessoa mais velha a receber um Nobel, em qualquer uma das suas categorias.

​O impulso inicial veio para as baterias de íons de lítio ainda na década de 1970, quando duas crises políticas no Oriente Médio jogaram o preço do petróleo repentinamente nas alturas, e dispararam uma corrida para o uso de energias alternativas. Foi justamente nessa época que o Brasil desenvolveu o programa de álcool combustível, que se tornou uma realidade nas décadas seguintes. Com o passar dos anos e uma nova queda no preço dos combustíveis fósseis, o apoio à pesquisa diminuiu, mas os cientistas persistiram na tentativa de obter baterias melhores, que se prolongou pelos anos 1980. Os três vencedores do Nobel não trabalharam em conjunto, num projeto único, mas adaptaram descobertas sequenciais para chegar ao resultado final. As baterias de íons de lítio leves, resistentes e recarregáveis começaram a chegar ao público em 1991.

​Os responsáveis pela outorga do prêmio Nobel sacramentam perante a comunidade internacional a importância que o trabalho de Goodenough,  Whittingham e  Yoshino teve para construir o mundo tecnológico como o conhecemos hoje. Muitas vezes, a premiação contempla pesquisas básicas, que são extremamente importantes, mas cujos desdobramentos podem levar bastante tempo para de fato fazer diferença no dia a dia das pessoas. Nesse caso, não. Todos somos capazes de perceber a qualidade do trabalho do trio, que, além de tornar a vida mais prática e funcional, ainda poderá trazer ao longo dos próximos anos excelentes resultados para o armazenamento de energias mais limpas, num momento no qual a substituição de fontes fósseis é um dos grandes desafios da comunidade internacional.