Promessa de descentralização da Web3 na mira dos críticos

A Web3, a nova geração da World Wide Web, que abordei aqui recentemente, acena com um ambiente descentralizado em que os usuários terão muito mais autonomia e controle sobre seus dados e acesso a uma variedade de serviços. A principal vantagem é que o uso destas aplicações passaria a ser feito sem a necessidade de intermediação de uma empresa, especialmente das gigantes da tecnologia.

Usando tecnologia blockchain, os serviços serão operados por meio de contratos inteligentes autônomos que se autoexecutariam, distribuindo valores automaticamente à medida que as tarefas são executadas. É o que alguns denominam como “internet dos serviços”.

Ao controlar suas próprias transações e dados, os usuários poderão decidir, por exemplo, se querem visualizar anúncios ou não. Desta forma, as empresas teriam que buscar alternativas para fazer suas campanhas e anunciar seus produtos. A proposta é promissora.

Enquanto muitos engenheiros e especialistas se debruçam no desenvolvimento de soluções e sistemas para viabilizar esta nova realidade e nós, usuários, esperamos ansiosamente pela Web3, há uma corrente de críticos que questiona a viabilidade deste novo estágio da internet e a possibilidade de um ecossistema sem intermediários.

Muitos críticos acreditam que a Web3 é apenas uma forma de impulsionar o mercado de tokens e de criptomoedas. Um dos maiores críticos é o professor da New York University – NYU, Scott Galloway. Ele diz que o termo Web3 é vago e nebuloso e o que virá é uma recentralização – uma mudança dos atores com o surgimento de novos intermediários. Isso porque 9% das contas na blockchain Ethereum concentram 80% do valor de mercado dos NFTs. E na Bitcoin, 95% do valor está em 2% das contas.

As críticas vêm também de nomes como Jack Dorsey, fundador do Twitter, Elon Musk, da Tesla e da Space X, e do próprio criador da Web2, Tim O’Reilly.

Evolução em ciclos de centralização e descentralização

Além do ceticismo em relação à perspectiva de um ambiente mais autônomo e democrático, os críticos apontam riscos de aumento de cibercrimes e o alto custo para desenvolver redes descentralizadas. Há quem argumente que, ao longo da história, alternamos ciclos de descentralização e recentralização.

O surgimento dos computadores pessoais descentralizou a arquitetura da computação. Na sequência, houve centralização com o desenvolvimento de um sistema operacional pela Microsoft. Depois vieram os softwares de código aberto, seguidos por uma nova onda de monopolização por meio do big data, os bancos de dados detidos pelas gigantes de tecnologia.

A polêmica deve continuar e é saudável que seja assim. As críticas muitas vezes trazem à tona questões relevantes, que merecem ser endereçadas. A divergência de opiniões certamente contribuirá para que o novo nível da internet traga benefícios a todos.