Temperatura antártica passa dos 20 graus pela primeira vez na história

No início desse mês, mais precisamente no dia 6 de fevereiro, os cientistas que trabalham na base Esperanza, uma dependência argentina da Antártica, tomaram um susto quando checaram o termômetro no meio do dia. Ele marcava 18,3 graus Celsius positivos, o recorde de calor para o continente. A temperatura mais alta registrada anteriormente havia ocorrido em 2015, há não muito tempo, portanto.

No entanto, o calor, de permitir passear sem casaco, não foi um fenômeno isolado. Para grande apreensão dos estudiosos do clima, apenas dois dias depois, no dia 9, um grupo de brasileiros, responsáveis pelo projeto Terrantar, responsável por monitorar as mudanças climáticas globais em 23 locais do Continente Branco, reportou uma temperatura de 20,75 graus. Pela primeira vez na história houve o registro de uma marca superior aos 20 graus na Antártica. O fenômeno, observado na ilha Seymour, indica claramente que pode haver um processo irreversível de derretimento do gelo na região, que deixaria em pouco tempo de ser permanente.

O atingimento dessa marca simbólica soou o alerta na comunidade científica internacional, mas também teve uma grande repercussão midiática. Certamente alguns décimos de grau não fazem tanta diferença, mas o número “redondo”, a marca dos 20 graus, acaba por gerar um efeito impressionante no imaginário das pessoas. Se voltássemos alguns poucos anos, jamais seria possível imaginar uma temperatura como essa na Antártica, mais associada aos extremos de frio.

As medições do IPCC, o órgão do ONU responsável pelo monitoramento do clima na Terra, hoje são inequívocas. Há toda uma literatura muito bem estabelecida, registrada e conferida por milhares de especialistas, vinculados a governos, instituições ambientais, universidades e empresas de ponta, que não deixam dúvidas: o planeta está esquentando, e a causa são as emissões de gases de efeito estufa pela atividade humana.

A saída para essa situação existe. Não é fácil de ser executada, mas é possível, e não temos outra maneira a não ser apostar nela: usar nossa vontade política e o conhecimento técnico já amplamente disponível para dar uma guinada no modelo de uso de combustíveis fósseis como fonte de energia. Com a abundância de recursos energéticos do nosso planeta, providos pela fonte inesgotável do Sol, do movimento dos rios e dos ventos, das chuvas e das marés, não é mais admissível permanecermos presos a um modelo criado no séc. 19 e que se tornou uma ameaça. Com tecnologia e consciência, um mundo mais seguro é possível.

 

Com informações: The Guardian, G1, UOL, Bloomberg