Novas tecnologias serão responsáveis pela aviação sustentável da próxima década

Como vimos essa semana na reunião dos líderes globais em Davos, na Suíça, as preocupações ambientais estão no centro do debate político e econômico. As mudanças climáticas que já se anunciavam há muito tempo intensificaram-se, e os climatologistas produzem relatórios científicos bastante consistentes que confirmam esse quadro desafiador. A queima de combustíveis fósseis deve ser moderada ou preferencialmente eliminada nas próximas décadas para que consequências catastróficas não se tornem realidade.

A boa notícia é que agentes econômicos, governos, organizações não governamentais e instituições transnacionais estão cada vez mais empenhados em mudar esse quadro, o que se tornou uma exigência da sociedade. E os laboratórios das universidades e empresas oferecem cada vez mais ferramentas tecnológicas para lidar com o problema, propiciando a troca eficiente de combustíveis poluidores por outros mais amigáveis.

Uma das áreas em que há desafios mais importantes a enfrentar é a da aviação. Ela é responsável por algo entre 3% e 5% das emissões globais, número que vem crescendo conforme aumenta a demanda por passagens aéreas. Recentemente, a empresa de tecnologia Climeworks deu a partida, no aeroporto de Roterdã, na Holanda, num sistema que captura gás carbônico da atmosfera, o mistura com hidrogênio e produz “syngas”, capaz de impulsionar as turbinas. A planta de produção, movida a energia solar, produz ainda pouco: mil litros de combustível por dia, o que é suficiente para fazer voar um grande jato comercial por cinco minutos. No entanto, a empresa não está sozinha nisso, outras companhias como Carbon Engineering, do Canadá, e a Global Thermostat, dos Estados Unidos, seguem na mesma trilha.

Se os custos dessa tecnologia ainda postergam sua viabilidade comercial para algum tempo no futuro, outra fonte, que é para os brasileiros muito mais familiar, deve ganhar importância nos céus muito antes. Trata-se dos biocombustíveis, já muito conhecidos por nós desde a década de 1970, com a introdução do programa de álcool combustível. A cana-de-açúcar é de longe o mais eficiente vegetal para a obtenção do etanol, mas há outras culturas, como o milho; ou a soja, a palma ou a mamona, das quais é extraído o biodiesel.

De qualquer forma, uma combinação de vontade política, educação e investimento tecnológico é a chave para darmos conta desse problema muito concreto, que já faz estragos, mas que pode ser controlado e revertido.

 

Com informações: BBC News; Climeworks; Carbon Engineering; Global Thermostat