Quem cuidará de nós?

Há poucos dias, a ONU anunciou que, pela primeira vez na história, o número de idosos no mundo ultrapassou o de crianças. Já somos 705 milhões de pessoas acima de 65 anos e 680 milhões entre zero e quatro anos. O número de idosos deve chegar a 2 bilhões nas próximas três décadas, conforme projeção da OMS.

O mercado de produtos de tecnologia para pessoas com mais de 60 deve aumentar em US$ 20 bilhões nos próximos dois anos, segundo a Business Insider. E as inovações vêm surgindo em diversos países.

Companhia e monitoramento

Na Suécia, a startup Nectarine Health (ex-Noomi) desenvolveu uma pulseira inteligente para o cuidado de idosos. Dotada de sensores ela envia informações para uma plataforma monitorando padrões de comportamento. Acompanhando a movimentação, hábitos alimentares, tempo de sono etc, ela detecta mínimas alterações. Por meio de uma plataforma, manda as informações ou alertas, em caso de emergência, para cuidadores ou familiares. Os dados, armazenados na nuvem, também podem ser compartilhados médicos em tempo real.

Um acompanhante digital, que responde perguntas, faz chamadas de vídeo, avisa sobre o horário da medicação e agenda compromissos, foi a criação da startup israelense Intuition Robotics. Com formato cilíndrico, que lembra uma luminária de mesa, e capaz de fazer movimentos, o Elli Q possui também uma tela sensível ao toque que mostra mensagens de texto e imagens. Intuitivo, o robô pode até jogar ou contar piadas. Robôs cuidadores ou carebots também vêm sendo desenvolvidos em países como Cingapura e Japão e são um filão promissor da economia da longevidade.

Originalmente desenvolvido para manter os “olhos” nas crianças, o Jiobit rastreia seu usuário permanentemente. Com ele é possível saber a localização de quem o usa em tempo real. Assim, tornou-se muito útil para idosos com problemas neurológicos que afetam a memória. Ele também tem um alerta caso a pessoa se afaste de um perímetro determinado.

Cada vez mais inquietante, a pergunta “quem cuidará de nós?” vem aos poucos obtendo respostas por meio dessas inovações.

O envelhecimento populacional é uma das tendências que provocará significativas mudanças em nossa vida. “Se, por um lado, fez surgir a economia da longevidade, com serviços e produtos para tender estes novos consumidores, por outro, traz desafios como a perda de produtividade devido ao menor número de pessoas trabalhando”, avalia Arie Halpern. Especialista em tecnologias disruptivas, ele ressalta que este é um aspecto especialmente crítico para os países em desenvolvimento em que os índices de produtividade ainda deixam a desejar.

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