Uso de plástico para preservar alimentos frescos está com os dias contados

No esforço global para reduzir o aumento da temperatura no planeta, as embalagens são um dos assuntos recorrentes. Já evoluímos muito adotando alternativas para reduzir o consumo desse material, como optar por produtos com refil, reutilizar sacolas plásticas, substituí-las por modelos de pano, reciclar quando possível e muitos outras.

Usamos também novas tecnologias para desenvolver soluções de mercado, como produtos para preservar alimentos e reduzir a geração de resíduos sólidos, como é o caso das embalagens ativas, filmes de barreira e nanotecnologia. Porém, as embalagens ainda são responsáveis por quase 50% dos resíduos sólidos descartados. E estima-se que o desperdício e a perda de alimentos respondam por 10% das emissões globais de CO².

Na Europa, um dos principais alvos de críticas são os alimentos, especialmente frutas, verduras e legumes, embalados individualmente com plástico, uma prática muito comum nos supermercados para diminuir as perdas. Também contribui para isso o grande volume de itens frescos importados, o que demanda formas de preservá-los por mais tempo.

O desafio é complexo. O filme plástico, uma das opções mais comuns, ajuda a preservar o alimento e consequentemente aumentar o tempo para consumo, o que é benéfico e reduz a pegada com a perda. Mas, por outro lado, causa impacto ambiental porque só é usado uma vez, além de se acumular em aterros e oceanos e ter uma decomposição bastante demorada.

Por isso, a França, por exemplo, proibiu o uso de embalagens plásticas individuais em 30 tipos de frutas e vegetais. A lei que entrou em vigor recentemente prevê o banimento total deste tipo de embalagem até 2026. Por isso, muitos varejistas estão buscando alternativas mais sustentáveis.

Embalagens comestíveis e biodegradáveis

Na suíça, uma rede de supermercados está usando embalagens compostáveis e comestíveis feitas à base de plantas. Ou seja, nem é preciso tirar a embalagem para comer os produtos frescos.

Desenvolvida por pesquisadores do The Swiss Federal Laboratories for Materials Science and Technology – EMPA, o instituto de pesquisa de tecnologia e ciência de materiais suíço, ela usa o bagaço das frutas e vegetais. Eles desenvolveram um processo para extrair a celulose natural dos desses vegetais, que é pulverizada em frutas e legumes, revestindo-os com uma camada extra de proteção que impede a perda de umidade.

Sem contato com o oxigênio, bananas, aspargos, abacates e maçãs, entre outros, duram mais. Nos testes em laboratório, as bananas, por exemplo, duraram uma semana a mais do que se mantidas sem proteção.

O processo é similar ao que já é usado pela startup americana Apeel, que também produz um revestimento invisível e comestível à base de cascas de laranja, caules e folhas. Com eles, ela produz um pó, que diluído em água forma uma solução em que os produtos frescos são mergulhados. Depois de seco, o revestimento forma uma película protetora.

“Ainda é cedo para termos certeza se estas soluções serão realmente eficientes em todas as condições. O plástico cria uma barreira quase perfeita, que é difícil de ser replicada com materiais naturais. Mesmo assim, com o uso de tecnologias disruptivas certamente estamos no caminho para reduzir o desperdício de alimentos e a geração de resíduos que contribuem para o aquecimento global”, explica Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.